Precisa de ajuda com o seu projeto?

Fale com um de nossos especialistas em soluções corporativas

A história das icônicas cadeiras Eames Shell

Publicado em 15 de janeiro de 2021

Foto000

Confira como essa peça foi desenvolvida e como chegou ao modelo atual

Foto000

Texto original escrito por Amber Bravo – Herman Miller

A história por trás da cadeira Eames Plastic Shell começou mais de dez anos antes de Charles e Ray lançarem, em 1950, o seu design icônico na Herman Miller. Compreender essa evolução de uma década não só ajuda a trazer luz sobre a famosa citação do designer Charles Eames: “os detalhes não são detalhes, eles fazem o produto“, mas diz muito sobre a responsabilidade que a Herman Miller, o Eames Office e a família assumiram no pedido de Charles e Ray para permanecer fiel à busca incansável em melhorar e aperfeiçoar seus designs.

As sementes das conchas de plástico que hoje conhecemos e amamos foram plantadas no final dos anos 30, quando Charles e Eero Saarinen começaram a pesquisar assentos de madeira compensada em formas curvadas na Cranbrook Academy of Art, onde Charles atuou como diretor do departamento de design.

O pai de Saarinen, Eliel, era o diretor da Cranbrook, e Eero era um sócio minoritário no escritório de arquitetura de seu pai. Provavelmente, Eames e Eero foram influenciados pelo trabalho do arquiteto finlandês Alvar Aalto, que dava aulas na mesma instituição no início dos anos 30 e era reconhecido por seus móveis de madeira compensada curvada.

A primeira tentativa de Eames e Saarinen de moldar madeira compensada foi realizada em um conceito de cadeira para o projeto de Eliel para a Kleinhans Music Hall em Buffalo, no estado de Nova York (EUA), em 1939. Enquanto aquele modelo tinha curvas bidimensionais, seu próximo projeto, um ingresso para a competição “Organic Design” do Museu de Arte Moderna, em 1940, apresentava curvas tridimensionais. Por isso, ganhou o primeiro prêmio, mas o design foi produzido em número muito limitado e longe da qualidade desejada.

Nessa época, Charles conheceu e casou-se com Ray Kaiser, aluna da Cranbrook, e os dois se mudaram para Venice no estado da Califórnia para abrir seu escritório de mesmo nome. Eero abandonou o projeto, mas o casal estava determinado a descobrir um processo completamente novo para moldar madeira compensada em curvas compostas.

Charles e Ray continuaram a fazer experiências com sua nova técnica para moldar madeira compensada, e seus esforços renderam macas, talas leves e empilháveis para pernas (1942) e um assento planador (1943) para a Marinha dos EUA. Após o fim da guerra, eles voltaram a focar no conceito de uma cadeira produzida em massa.

Apesar de todos os esforços, eles ainda não conseguiam produzir uma forma de compensado de folha única, mas chegaram a uma alternativa atraente: uma cadeira composta de painéis separados de madeira compensada moldados para o encosto e o assento, que se tornaria a cadeira Eames Molded Plywood (1946), produzida até hoje, considerada mais tarde o “Melhor Design do Século” pela revista Time.

Dois anos depois, eles produziram uma cadeira em concha, de forma única, feita de metal britado, para o “Concurso Internacional de Mobiliário de Baixo Custo” do Museu de Arte Moderna. Ela ficou em segundo lugar na competição, mas era muito caro produzir o protótipo revestido de neoprene.

Assim, Charles e Ray começaram a examinar novos materiais, como o plástico reforçado com fibra de vidro, um material que poderia ser moldado em formas orgânicas e produzido com baixo custo, mas ainda não havia sido usado em aplicações para o consumidor.

Foto 00 3

Foi esta repetição, lançada em 1950, que se tornou a primeira cadeira de plástico produzida em massa, mas a evolução do design não parou por aí. Ao longo dos anos, as opções de cor e altura, os amortecedores, as variações de base e as opções de estofamento redobraram, facilitando a reprodução da cadeira e deixando-a altamente personalizável.

Os processos de fabricação também têm sido acompanhados de perto e modificados, e, no final dos anos 80, quase uma década após a morte de Charles, em 1978, as implicações ambientais da produção de fibra de vidro foram questionadas por Ray e pela Herman Miller.

Por volta do início dos anos 90, a marca parou a produção. Depois de anos explorando soluções mais sustentáveis​​, em 2001 a empresa reintroduziu a cadeira Molded Plastic Shell feita em polipropileno 100% reciclável, com base em protótipos nos arquivos do Eames Office, que Charles e Ray tinham feito com plástico sem fibra de vidro em 1970.

Em 2013, mais uma vez trabalhando com a família Eames, a Herman Miller concretizou a visão de Charles e Ray para o projeto da cadeira Shell em um material novo e muito apropriado: madeira moldada, graças aos avanços na tecnologia 3D.

A empresa voltou a produzir a cadeira Shell com reformulação sustentável para a fibra de vidro moldada com certificação GREENGUARD Ouro, bem como no estofamento. Partindo de onde os Eames pararam em seu filme de 1970, “The Fiberglass Chairs: something of how they get the way they are“.

Confira abaixo, em etapas, as maneiras pelas quais a Herman Miller está honrando o design e o espírito original dos Eames – esforçando-se para que o processo de fabricação e qualidade sejam os melhores e mais sustentáveis possíveis.

  1. A resina colorida é misturada nos tonéis

Foto 01 3

Com a aplicação de tecnologia usada principalmente nas indústrias automotivas e de manufatura para criar peças de uso não cosmético, a nova resina de fibra de vidro da Herman Miller apresenta muitas melhorias ambientais.

Livre de monômero e processada sem emissões de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), essa resina elimina a necessidade de oxidantes térmicos. Em comparação com a produção tradicional de resina de fibra de vidro atual e com as resinas de fibra de vidro usadas nas cadeiras originais, a nova matéria-prima livre de monômero produz menos ozônio e poluição do ar, colaborando para um ambiente de trabalho mais seguro para os funcionários.

  1. Os pré-moldes são retirados da máquina e inspecionados

Foto 02 3

Para criar pré-moldes para as novas cadeiras Shell, um “processo seco” é usado ao invés do “processo úmido”, utilizado na produção de fibra de vidro tradicional. Na união seca, os fios das fibras de vidro, alguns dos quais derretem a uma temperatura inferior, são soprados por uma máquina CNC para uma tela em forma de concha; um vácuo assegura que as partículas soltas sejam contidas em vez de serem sopradas para o ar e capturadas pela “cola úmida”, como ocorre na fabricação tradicional.

Em seguida, aplica-se calor e derrete-se fios suficientes para manter a forma dos pré-moldes. É somente neste momento que as mãos humanas tocam o pré-molde, e só resta inspecionar o pré-molde em uma mesa de luz, fazer algumas aparas e raspar as bordas dele com uma faca.

  1. A resina é aplicada ao pré-molde

Foto 03 2

O pré-molde de fibra de vidro é colocado em um suporte, os trabalhadores determinam o peso exato da resina em uma escala e a despejam sobre ele, revestindo e suavizando a concha com habilidade, de forma metódica com uma ferramenta manual.

  1. O pré-molde revestido com resina é colocado na prensa

Foto 04

Após aplicar resina de modo uniforme, a concha é transferida para a prensa, onde calor e pressão são aplicados ao pré-molde revestido com resina. A máquina corta o contorno da cadeira para eliminar o excesso de fibra de vidro antes do lixamento.

  1. A concha é inspecionada

Foto 05

Qualquer excesso do molde que ainda esteja preso à cadeira após o corte da prensa é removido manualmente. A concha é retirada, inspecionada visualmente e aprovada pelo trabalhador de fábrica. A prensa é limpa após cada utilização.

  1. As bordas da concha são lixadas

Foto 06

As bordas da concha são lixadas manualmente e o acabamento é feito com uma lixa elétrica. A cadeira é limpa e ensacada. Depois disso, é inspecionada mais uma vez por outro empregado da fábrica, que irá procurar imperfeições. Após isso, ela é enviada para a instalação Greenhouse da Herman Miller.

  1. Os amortecedores são colocados na base da concha

Foto 07

A base de cada concha é sistematicamente limpa para aderir aos amortecedores com maior eficácia. O adesivo é aplicado a cada amortecedor por uma máquina, e uma bandeja com a concha limpa recentemente é ajustada sobre os amortecedores. As conchas que receberam os amortecedores passam por um tratamento na prateleira de secagem pressurizada por dois dias.

  1. Os amortecedores são apertados e testados

Foto 08

As conchas com amortecimento são retiradas da prateleira para serem testadas e inspecionadas. Cada amortecedor é apertado manualmente e, se passar pela inspeção, a concha é aprovada no chão de fábrica.

  1. Costura com o padrão ‘hopsack’

Foto 09

O estofado passa por um corte computadorizado e é costurado à mão em seus padrões apropriados (formato cadeira com braços ou cadeira para visitantes). Os padrões são enviados para a célula da cadeira.

  1. O estofado é ajustado à cadeira

Foto 10

O enchimento de espuma é anexado à cadeira, na qual o enchimento costurado e montado é ajustado e anexado pela J-Channel (ou aparador de bordas). Depois, ela é passada a ferro e colocada em outra prensa que aplica calor e pressão.

  1. As bases são anexadas à concha

Foto 11

Cada cadeira Shell é identificada com um adesivo que especifica uma base única. As bases são selecionadas e anexadas em cada cadeira individual e fixadas à mão.

  1. Embalagem e envio

Foto 12

Todas as cadeiras Shell concluídas são limpas, ensacadas e embaladas para envio.

Você já conhecia toda a história e processo por trás da fabricação das cadeiras Eames Shell? Nas lojas do Grupo Novo Ambiente em São Paulo e no Rio de Janeiro é possível encontrar essa peça icônica para compra. Aproveite e fique ligado nas novidades do nosso blog!

Posts relacionados

Este site está registrado em wpml.org como um site de desenvolvimento. Você pode mudar para uma chave de site de produção para remove this banner.
Entre em contato